Essa queixa é comum e universal, um grande estresse emocional esta associado à alimentação, quando o filho não come. Queremos que nossos filhos sejam saudáveis, quando eles não comem nos preocupamos. Às vezes podemos fazer algo em relação a isso, às vezes não. De qualquer forma, os pais precisam estar no comando. Uma criança bem alimentada brinca e come bem. Nós devemos aos nossos filhos o ato de fornecer combustível de que eles precisam e, ao mesmo tempo, respeitar seus gostos e diferenças individuais. E para manter as coisas boas seguem algumas informações.

“As crianças costumam ‘parar de comer ‘ aproximadamente quando faz um ano. (…) O motivo dessa mudança é a diminuição da velocidade de crescimento.” (Carlos González, “Meu filho não come”)

O que ocorre é que no primeiro ano de vida, em geral a criança ganha três vezes o peso que tinha ao nascer e metade (em centímetros) do comprimento do nascimento. No segundo ano, adquire cerca de 3,5 quilos e 8 a 10 centímetros de comprimento. Do terceiro ano até a puberdade, vai mais devagar: cerca de 2 quilos e 5 a 6 centímetros por ano.

Por esse motivo, no primeiro ano de vida, o apetite é enorme porque as necessidades nutricionais são muito altas para que as metas propostas sejam atingidas. Nos anos seguintes as necessidades anuais vão diminuindo e isso significa menos apetite.

Mas meu filho não come NADA!

O primeiro passo é verificar se realmente não há nenhum problema de saúde, ou seja, se a falta de apetite não é de origem orgânica, incluindo o início da dentição, o que também resulta no desinteresse pelos alimentos. O segundo passo é preciso observar o que esta tirando o apetite da criança. Sabe aquelas três a quatro mamadeiras de leite, quase sempre com açúcar, mingau e cereais? Acredito que sejam elas as responsáveis pela perda de apetite do seu filho. Nesse caso talvez seja necessário abolir as mamadeiras da criança e passar a oferecer comida, de duas em duas horas.

O básico da alimentação.

Dr. Benny Kerzner é um respeitado pediatra e gastroenterologista do Children’s National Medical Center, em Washington, DC, nos EUA, que há mais de 30 anos estuda as desordens alimentares infantis. Ele criou os princípios gerais da alimentação infantil para pediatras e famílias.

Mantenha limites na hora da refeição.

• Os pais decidem onde, quando e o que a criança come;

• O bebê e a criança decidem o quanto come;

Evite distração

• O horário da alimentação deve ser livre de ruídos e distração, sem TVs e outros eletrônicos;

•  Use uma cadeira alta para ajudar a criança a ficar limitada ao ambiente da alimentação;

• A cadeira da criança deve estar pertinho da mesa, e seu filho deve ser encorajado a ficar sentado durante a refeição;

Comer para estimular o apetite

• Dê intervalos de 3 a 4 horas entre as refeições;

• O tempo e a freqüência das refeições infantis devem coincidir com as refeições dos pais (ou quantas refeições a agenda da família permitir);

O comportamento alimentar dos pais é essencial para o bom comportamento alimentar que o filho vai desenvolver.

Faça das refeições um momento de trocas e afetos.

• Não faça folias nem recorra a brincadeiras;

• Não fique com raiva nem aparente destempero;

Limite a duração da refeição

• A criança deve começar a comer em até 15 minutos do início da refeição;

• As refeições devem durar entre 30 e 35 minutos;

Sirva alimentos apropriados à idade da criança

• Ofereça comidinhas adequadas ao desenvolvimento motor e oral da criança;

• Use porções razoavelmente pequenas, do tamanho do punho da criança, afinal ela tem estômago pequeno;

Apresente novos alimentos

• Respeite o gosto da criança e ofereça o mesmo alimento repetidamente preparados de formas diferentes – entre 10 e 15 vezes –, antes de desistir;

• Recompense o consumo de alimentos com parabéns e só;

• Mas não use a comida como uma recompensa por bom comportamento;

Tolere a bagunça que a criança pequena costuma fazer.

• Use babador ou coloque um plástico sobre o cadeirão ou assento;

• Não irrite a criança, limpando sua boca com um guardanapo após cada colherada ou gole.

Afinal, a alimentação é mais que nutrição, é afeto

Consulte sempre o seu pediatra e peça orientação caso a alimentação seja motivo de angustia. Ele ira te tranqüilizar ou ira direcionar a família para um profissional competente.