Uma das grandes dificuldades dos pais é dizer não e colocar limite nos filhos. O amor é tão grande que a vontade é fazer tudo que a criança pede, mas nossa sabedoria aponta que colocar limite nos filhos faz parte da educação saudável e é fundamental para se viver em sociedade.

Crianças e adolescentes sem limites, não se sentem amados. É algo como um sentimento de que os pais não se importam com eles, já que não se importam com o que eles fazem. Inseguros afetivamente usam do mau comportamento para chamar a atenção dos pais. Segundo o psiquiatra Içami Tiba, em seu livro ‘Disciplina, limite na medida certa’:“Uma criança satisfeita dá liberdade para os pais. Estando insatisfeita, exige atenção o tempo inteiro”.

As birras infantis, além de ser uma forma de comunicação, são um “teste de poder” por parte das crianças. Na medida em que a criança vai crescendo, ela vai se manifestando e as experimentações se ampliam, é natural que a criança experimente até onde ela e quem está ao seu redor pode ir. Ao mesmo tempo, crianças tentam compreender os limites (os delas e os que lhe são impostos) e, ainda, questionar aquilo que não vem delas. Com isso, um “não” diante de seus desejos, ou um pedido ou regra vinda de fora podem se tornar bem desagradáveis a elas. Vamos lembrar que crianças demonstram seus desejos na espera de conquistá-los, mas precisam aprender a lidar com a frustração quando o que almejam não é alcançado. Sendo assim, as birras são também uma oportunidade de ensinar a criança sobre os limites que a vida impõe.

A princípio, a birra pode acontecer por qualquer motivo: uma vontade não satisfeita, teimosia, até sono. Mas além desses motivos superficiais costumam haver outros bem mais profundos. Pais que não sabem impor limites costumam ser o mais comum deles, afinal para muita gente dizer não é uma verdadeira dificuldade.

Os pais simplesmente se esquecem que dizer não é um ato de amor e proteção, é quando as crianças começam a conhecer seus limites. E não se engane elas testam até onde podem ir. Ser firme ao dizer não é mostrar, dentro de casa, o que o mundo acabará mostrando lá fora, que todos temos que respeitar determinadas regras, seja para o nosso próprio bem-estar ou o dos outros. E que ninguém pode ter tudo o que quer.

As crianças também podem fazer birra por alguma carência que os pais ainda não conseguiram identificar; às vezes uma ausência acentuada de um ou de outro, separações, mudanças de rotina, alguma insegurança ou qualquer outro motivo, mas seja o que for a birra tem que ser percebida como uma motivação a ser trabalhada e resolvida com a criança.

Sem limites as crianças se perdem e não se reconhecem, não se sentem amadas.

O carinho, a comunicação, a firmeza, o olho no olho e o respeito com as criança são fundamentais frente à birra, isso ajudará a transformar a criança birrenta de hoje no adulto sensato de amanhã. Deve haver um acordo entre os pais, mesmo que vivam separados, de um nunca desautorizar o outro, de nunca confundirem autoridade com autoritarismo.

Mesmo no auge da crise de birra, naquela hora em que a paciência parece ser sugada até a última gota, é importante não ceder, de forma carinhosa, mas firme, porque é justamente quando ela mais precisa de calma e firmeza.

Crie momentos de intimidade com seus filhos, crie uma cultura de conversa e de compreensão das regras.

A vida está cada vez mais corrida, o tempo às vezes parece curto até para dormir, mas ele jamais deve ser curto para criar vínculos de amor e intimidade com os filhos. Nos períodos em que puderem estar juntos, privilegie a proximidade, a qualidade da relação. Não procure compensar o tempo longe com presentes, mas com atitudes.

Brinque de rolar no chão, guerra de travesseiros, entre no seu pequeno mundo e deixe-o entrar no seu. Assim vocês aprenderão a se comunicar com o olhar, a “ler” o pensamento um do outro, a se compreenderem cada vez mais. Ficará muito mais fácil ela entender à hora de brincar, de parar, de dormir, do que pode e do que não pode e principalmente a hora do NÃO.

Da mesma forma, nunca minta para o seu filho, não prometa o que não pode cumprir, não esqueça um compromisso. Pequenas decepções evitáveis causam revolta que involuntariamente transformam-se em manhas, em comportamentos desagradáveis. É essencial assumir a sua parcela de responsabilidade nessa mudança de comportamento do pequeno e, se for preciso, na sua também.

Aceitar o não dos pais, vai fortalecer o seus filhos quando tiverem que falar não aos abusos, as drogas e a receberem os não da vida frente, que são inúmeros.

Algumas dicas:

Crie intimidade com seus filhos, crie uma cultura de elogios, quando a criança tiver um comportamento esforçado e merecedor, quando tiver que falar com seu filho, abaixe e olhe nos seus olhos, converse com ele sobre regras, perceba se o motivo das birras não é cansaço ou sono e sustente o “não”.

A calma, a firmeza e o olho no olho são os segredos para lidar com a Birra.